O Signal Iduna Park recebe um duelo aberto pelas oitavas de final da Champions League. Em teoria, o Chelsea é o favorito para o confronto. Possui um elenco com mais talentos e também vem com a vantagem de decidir em casa no segundo jogo. Porém, as coisas não são tão claras para os Blues nesse momento de muitos reforços e pouco encaixe dentro de campo. Melhor ao Borussia Dortmund, que sustenta suas chances de classificação. Os aurinegros chegam embalados por uma sequência de seis vitórias consecutivas e, se não gastaram mundos na janela de transferências, conseguiram recuperar jogadores antes lesionados que igualmente servem como reforços para as perspectivas do time.
Regularidade não é o forte de nenhum dos adversários na temporada. Somente agora o Dortmund começa a engrenar e aproveita bem as capacidades de seu elenco, sobretudo na rodagem de peças no ataque. Mas não que a defesa ofereça tanta segurança assim, embora tenha melhorado. Já o Chelsea encontra dificuldades para resolver seus jogos e ganhar uma cara de time, mesmo com uma gama de talentos ainda maior à disposição. A esta altura, vai ter que apostar mais nas individualidades para vencer. E a cobrança também está sobre os Blues, diante da noção de que dificilmente se recupera na Premier League. As fichas quase todas serão depositadas na Champions, por mais que o projeto de Todd Boehly se sugira a longo prazo.
Como foi a fase de grupos
O Borussia Dortmund caiu num grupo de enormes disparidades. Não conseguiu competir com o Manchester City pela primeira colocação, mas não teve problemas para superar os concorrentes em crise, Sevilla e Copenhague. Durante a primeira metade da fase de grupos, os aurinegros perderam na visita à Inglaterra, mas ganharam por placares folgados diante dos dinamarqueses e dos espanhóis – destes, em pleno Ramón Sánchez-Pizjuán, num 4 a 1 que culminou na demissão de Julen Lopetegui. A partir disso, o BVB foi bastante econômico na segunda pernada e mostrou também a face de uma equipe com dificuldades para engrenar. Foram mais três empates, que não atrapalharam a classificação no segundo posto, mas também não ofereceram grande ameaça ao City.
A temporada errática do Chelsea não estorvou tanto a campanha do clube na fase de grupos da Champions League. Os Blues terminaram na primeira colocação do Grupo E, mas, para isso, precisaram tomar um susto logo de cara. A estreia com derrota para o Dinamo Zagreb no Estádio Maksimir ligou um sinal de alerta, reforçado pelo empate em Londres com o Red Bull Salzburg. O que fez a diferença foram os confrontos diretos com o Milan, principal adversário da chave. O Chelsea anotou 3 a 0 em Stamford Bridge e ganhou também por 2 a 0 em Milão. Depois disso, a equipe deslanchou. Ainda teve dificuldades, mas garantiu a classificação por antecipação na Áustria, contra o Salzburg. Por fim, selou a liderança ao dar o troco sobre o Dinamo na Inglaterra.
Como vem sendo a temporada
A temporada do Borussia Dortmund era substancialmente instável. A equipe de Edin Terzic prometia um desempenho melhor, especialmente pelos bons reforços no mercado de transferências. Porém, os problemas de lesão mais uma vez atormentaram os aurinegros e o que se notava era uma irregularidade visível na tabela da Bundesliga. Até o fim do primeiro turno, a equipe não conseguiu emendar mais de três vitórias consecutivas. Até conseguiu alguns bons resultados, mas ficou mais marcada pelos tropeços e pelos problemas de sua linha defensiva. Somente nos jogos recentes é que, enfim, o Dortmund se acalmou e conseguiu apresentar um pouco mais de consistência para se firmar dentro do G-4.
A temporada do Chelsea é uma grande montanha-russa. E, neste momento, os Blues fazem uma descida bastante acentuada para o meio da tabela. Estava claro que não seria um ano fácil, com o fim da Era Roman Abramovich e a chegada de Todd Boehly. O novo proprietário injetou dinheiro em forma de contratações, mas também optou por trocar Thomas Tuchel, que não começou bem a temporada. Graham Potter chegou sob expectativas e correspondeu de início, mas logo teria uma série em jejum. Os Blues ganharam apenas dois compromissos nas últimas 12 rodadas da Premier League, com um incômodo excesso de empates. Neste momento, se garantir no G-4 é missão hercúlea, mesmo com os investimentos recentes. E nem sorte os londrinos tiveram, com as eliminações logo de cara para o Manchester City na Copa da Inglaterra e na Copa da Liga.
Como o time voltou da pausa
O Borussia Dortmund venceu todos os seus jogos desde a retomada das atividades em janeiro. É verdade que nem sempre foram triunfos tranquilos, vide o maluco 4 a 3 sobre o Augsburg. Mas é fato que o momento atual é o melhor dos aurinegros na temporada. São cinco vitórias consecutivas na Bundesliga, que reduziram a diferença para o Bayern na tabela, e mais a classificação para as quartas de final da Copa da Alemanha. Julian Ryerson foi um reforço pontual na janela de inverno, mas mais importantes foram os atletas que retornaram de lesão e dão mais possibilidades a Terzic. Não à toa, as mudanças a partir do banco fizeram a diferença repetidas vezes nas últimas semanas.
A grande história do Chelsea nessa volta às atividades foi fora de campo, e não dentro. Os Blues fizeram um mercado de transferências recorde em janeiro, com a adição de vários talentos, caros, mas com bom futuro pela frente. O planejamento dos Blues é de longo prazo, pela idade dos novatos, todos com no máximo 23 anos. Entretanto, o tamanho do aporte gera pressões para que se corresponda logo. E não é o que se nota em campo. Apesar de alguns lampejos individuais de parte das novas peças, falta consistência coletiva e uma identidade mais clara – o que se perdia desde o fim da passagem de Thomas Tuchel. Na Premier League, os londrinos têm duas vitórias e só uma derrota na volta, mas quatro empates. Os tropeços recorrentes contra times da metade inferior da tabela fizeram a equipe estagnar.
Os destaques
O grande nome do Dortmund na temporada é Jude Bellingham. Faz tempo que o meio-campista se coloca como um diferencial dos aurinegros, mas sua qualidade aumenta a cada ano e a Copa do Mundo ajudou ainda mais para ficar em evidência. Será mais cortejado contra um adversário inglês. Entre as razões para a boa fase do Dortmund está seu companheiro no meio, Julian Brandt, que parece mais uma vez se reinventar e auxilia bastante na construção. Também ficam as expectativas sobre a estreia de Sébastien Haller pelo BVB no torneio continental, após se recuperar do câncer nos testículos e se provar importante mesmo sem o melhor ritmo. E, saindo do banco, que tem feito brilhar os olhos da torcida é Jamie Bynoe-Gittens. Mais um achado dos aurinegros na Inglaterra, ele nasceu em Londres e teve breve passagem pela base do Chelsea.
O Chelsea podia incluir apenas três dos novos reforços no seu elenco da Champions. Todos eles devem ser titulares. Enzo Fernández quebrou o recorde de transferências do clube e começa a se estabelecer no meio-campo, depois de ter feito uma fase de grupos muito boa com o Benfica. Mykhaylo Mudryk arrebentou com o Shakhtar Donetsk desde as preliminares e também pode justificar na LC um pouco mais o preço investido pelos Blues. Já João Félix, que não estaria nessa fase se ficasse no Atlético de Madrid, anotou seu primeiro gol pelo clube e tem condições de deixar no esquecimento rapidamente a expulsão logo na estreia. Dos mais antigos, Thiago Silva inicia mais uma campanha de mata-matas como um dos responsáveis por tentar dar competitividade à equipe em processo de formação.
As ausências
O departamento médico do Borussia Dortmund nunca está vazio. Desta vez, o principal desfalque é Youssoufa Moukoko, que sofreu uma lesão no tornozelo e ficará mais de um mês em recuperação. Ao menos, a volta de Haller cobre bem o problema no comando de ataque. Marius Wolf também é um nome recorrente que não estará à disposição. Já Thomas Meunier está de volta, embora dificilmente ganhe a posição diante da sequência inicial de Julian Ryerson na lateral direita.
O Chelsea vendeu Jorginho na janela de janeiro e retirou a inscrição de Pierre-Emerick Aubameyang para incluir seus reforços. Além disso, os Blues permanecem com uma série de jogadores ausentes por problemas físicos. N'Golo Kanté não atua faz tempo e encabeça uma lista que inclui ainda figuras como Christian Pulisic, Édouard Mendy e Armando Broja. Entre aqueles em dúvida, aparecem também Wesley Fofana, Mateo Kovacic, Denis Zakaria, Raheem Sterling e Kalidou Koulibaly. Vale lembrar que, entre os que não foram inscritos na Champions, estão Benoit Badiashile, Noni Madueke, David Datro Fofana e Andrey Santos. O elenco inchado compensa para ainda garantir uma escalação forte a Graham Potter, mas não entrosamento.
Os técnicos
Edin Terzic ganhou um voto de confiança para retomar o comando do Borussia Dortmund, depois das apostas frustradas das últimas temporadas. “Cria da casa”, o técnico faturou uma Copa da Alemanha na outra passagem e seguia nos corredores do clube como membro da direção. Mas o respaldo nos bastidores não necessariamente oferece um salto na atual temporada. Terzic enfrentou dificuldades para encaixar a equipe e oscilou bastante, também atrapalhado pelos desfalques. As últimas semanas, pelo menos, mostram que o treinador pode conduzir um bom trabalho. Ainda não são atuações de encher os olhos, mas a forma como repetidamente o BVB consegue os triunfos aponta o caminho.
Graham Potter tem uma responsabilidade grande sobre os ombros no Chelsea. Thomas Tuchel conquistou a Champions, mas estava bastante vinculado com a antiga gestão. O ex-comandante do Brighton, que antes protagonizou façanhas com o pequeno Östersunds, vinha para montar um projeto. E fica difícil de fazer cobranças mais incisivas diante da quantidade de reforços despejados em seu elenco, com as dificuldades de inserir tantos jogadores de pouca experiência e manobrar um plantel com medalhões mais descontentes. O técnico indica ter ferramentas para colocar os Blues nos trilhos. Mas, dentro da natural pressão pelo investimento, não é na Premier League que tem acontecido. O passado dos londrinos, no entanto, recorda que não é preciso ter tempo de casamata para ser vitorioso na Champions.
Os antecedentes
Apesar de habituados às competições continentais, sobretudo nos últimos anos, esta será a primeira vez que Dortmund e Chelsea se encaram.
Figura em comum
O principal negócio realizado entre Chelsea e Borussia Dortmund foi a transação de Christian Pulisic. Porém, o ponta não desabrochou em Stamford Bridge da mesma forma como encantava no Signal Iduna Park. Assim, a maior importância de uma figura em comum fica para Thomas Tuchel. O comandante não conseguiu realizar façanhas tão grandes no Dortmund, mas teve sucesso ao conduzir um difícil trabalho de transição após a saída de Jürgen Klopp. Faturou uma Copa da Alemanha e teve momentos de ótimo futebol com os aurinegros. Já no Chelsea, mesmo desembarcando para apagar um incêndio após a saída de Frank Lampard, conseguiu se colocar no topo do continente. A conquista da Champions League teve contribuição expressa do comandante e valeu sua passagem, mesmo que ela tenha se deteriorado rapidamente por razões que fugiram de sua alçada.
Onde assistir
Quarta-feira, 17h (horário de Brasília)
Transmissão na TNT e na HBO Max
Por Leandro Stein na Trivela
Fonte: Trivela....from Trivela https://ift.tt/QTCERZ1
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